
“Tínhamos tanto potencial, éramos tão promissores, mas desperdiçamos nossos dons”. As frases que iniciam “9” ecoaram na minha cabeça quando os créditos finais estavam subindo. Aconteceu talvez o improvável: “9” não é tudo isso, sinto dizer pra mim mesmo que é um filme fraquinho com excelentes elementos, mas ainda assim, fraquinho.
“9-A Salvação” (como foi chamado aqui no Brasil) é baseado num curta metragem escrito e dirigido por Shane Acker, um cara que viu seu projeto de conclusão da faculdade virar filme depois do apadrinhamento de nada mais nada menos que Tim Burton. Opa! Chegamos num ponto importante: o tio Tim. É impressionante como usaram e abusaram do nome do coitado. Nos cartazes foda-se o Shane Acker, vamo por um “TIM BURTON APRESENTA!” Show de bola, perfeito! Ok, ok, se eu tivesse o Johnny Depp fazendo uma participação de 3 minutos num filme meu eu também exploraria isso (er... Alice no País das Maravilhas?), mas o que eu quero mesmo dizer é que muito se esperou de "9" pelo gabarito e história de Tim Burton, aumentando ainda mais as expectativas.
O trailer de "9" é espetacular, ganha qualquer um, me ganhou, em tudo! Gráficos, atmosfera, música. Podemos dizer que o "Fator WOW!" de 9 é lá em cima. Só que eu sou um cara muito chato, e comecei a procurar defeitos antes mesmo de assistir o filme, nem diria defeitos, mas pontos que me causavam preocupação. Dois pontos me vieram a mente.
1- Me parecia tudo muito vago, afinal de contas, o que esses bonecos devem fazer mesmo?
2- Personagens clichês, você tem o fortão burro, o gênio, os gêmeos atrapalhados, o corajoso líder (leia-se Ranger Vermelho).
Mas era só isso, de resto, só alegria. Cheguei no cine a fila imensa, passei algum tempo assobiando a canção tocada no trailer (Welcome Home de Coheed and Cambria) que deu o clima épico no negócio. Enfim, sentei, as luzes se apagaram, o filme começou.
O começo é lindo, não há falas, relembrando e muito o curta original, seria mais perfeito se não houvessem crianças falando merda no cinema (Que diabos tinha muleque de 10 anos lá?). O clima sombrio... sim... assustador. Um detalhe, eu assisti o filme muuuuuuuito em cima da tela, o que eu geralmente acho ruim, mas em "9" eu gostei, pq me senti um daqueles pequeninos bonecos costurados, eu estava ali, enfrentando monstros de metal... ou pelo menos me escondendo deles, atrás de um capacete do exército, observando tudo, como quem fosse escrever um livro disso depois (um livro não foi, mas tem essa resenha, serve? =D).
Já dá pra perceber que não se trata de um filme engraçado, é um filme trágico, não um conto de fadas. "9" foi me conquistando com suas cenas de ação cada vez mais alucinantes... até que chegou uma hora que eu precisei respirar e me perguntar: ok... e agora? Por que estamos aqui? (lembra do ponto 1 que toquei sobre cosias que me incomodavam?)
Sobre os personagens, não os achei clichês, mas também não os achei bem desenvolvidos. Aliás, gostaria de falar sobre um carinha em particular, o 1. Todos na sala tavam odiando o cara, mas era nele que eu centrava minha atenção, não sei, parece que de todos, ele era o mais interessante psicologicamente, o jeitão dele, me dava vontade de conhecer aquele boneco a fundo.
É sempre bom ver filmes com efeitos especiais sensacionais e muita adrenalina, mas eu precisava de algo além. Não é possível que "9" seria só aquilo, esse era o glorioso "9"? Bonecos correndo de robôs o tempo inteiro? Me passou a impressão de que se não fossem bonecos, o filme seria absurdamente sem carisma, assim como os decepcionantes filmes de ação apocalípticos que estamos acostumados a achar ruins.
Eu disse lá no comecinho que 9 é um filme fraquinho com elementos ótimos, podemos destacar os momentos macabros, muito bons, a fotografia muito linda, as mortes (que não são poucas), os cenários perfeitos, as texturas... AH CARAMBA, graficamente 9 é de encher os olhos, é lindão (lembrando que eu tava bem pertinho). As texturas são incrivelmente belas, os efeitos, os detalhes, o character design mesmo, é tudo muito muito belo.
Uma coisa interessante é que "9" tenta ser poético, mas não me convenceu. Uma das poucas cenas que ainda destravaram a minha boca para um sorrisinho bobo de canto foi a músca "somewhere over the rainbow" tocando depois da “destruição” da Máquina. Muito bacana aquilo, além de ser uma referência ao mágico de Oz, também me lembrou muito "Mulan", que é todo feito no sistema “calmaria-tempestade-calmaria-tempestade-calmaria-tempestade-calmaria”. Mas "9" não é "Mulan" e nem é da Disney, começa na tempestade e termina na tempestade, o que ocasiona muita neblina, e conseqüentemente muitas dúvidas, que acabam mais com cara de preguiça de responder por parte deles do que intenção de te instigar a buscar respostas.
O final de "9"nos deixa com uma cara de “What the Fuck?!” e realmente nos faz pensar por algum tempo se valeu a pena pagar o ingresso. Eu respondo pra vocês, vale se você sentar bem próximo da tela e desfrutar da magia gráfica que tem ali, do contrário, a safra de filmes ta boa, aproveite pra conferi-los. =)
By /-\driano
segunda-feira, 12 de outubro de 2009
CRÍTIC/-\ "9"
Postado por /-\driano Erick às 21:20 4 comentários
Marcadores: Opinião
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